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MUSEU MUNICIPAL DE CACHOEIRA DO SUL - Patrono Edyr Lima

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Cachoeira do Sul - RS

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Histórico do Município



90 anos da Hidráulica Municipal

90 anos da Hidráulica Municipal

   O jornal O Comércio, edição de 28 de setembro de 1921, relatou os atos solenes de inauguração da Hidráulica Municipal, acontecidos no dia 20 de setembro de 1921, fornecendo dados importantes sobre as obras e a sua relevância para a cidade de Cachoeira, uma das primeiras do Estado do Rio Grande do Sul a contar com o serviço de distribuição de água encanada. Este serviço condenou ao desaparecimento o comércio de água em pipas à medida que foi sendo estendido para outros pontos da cidade, uma vez que inicialmente apenas as ruas mais próximas da Hidráulica, localizada na antiga Travessa D. Luiza, é que foram as beneficiadas. O Dr. Aníbal Loureiro, intendente à época da inauguração, deu início ao abastecimento de água que teve em 1925, com João Neves da Fontoura, a conclusão das obras através da construção do Reservatório R2, na Rua Júlio de Castilhos (atual Praça Borges de Medeiros), e do Château d'Eau, na Praça Balthazar de Bem.

   A seguir extrato da edição de O Comércio de 20 e 28/9/1921:

 INAUGURAÇÃO DAS OBRAS HIDRÁULICAS PARA O ABASTECIMENTO D’ÁGUA À CIDADE

 

    Inauguram-se hoje, primeiro aniversário da administração do Sr. Dr. Annibal Loureiro, as obras hidráulicas destinadas ao abastecimento d’água a esta cidade.

    O ato constará de duas solenidades, realizadas, uma, no recinto da própria hidráulica, às 15 horas, e outra, no interior do Mercado, antes de ter início a quermesse em benefício do Hospital de Caridade.

    Em ambos falará o Sr. Dr. Intendente que entregará a água ao consumo público.

    No próximo número, faremos detalhada descrição desses serviços.

    Congratulamo-nos com a população por esse extraordinário melhoramento reclamado há muito pela cidade.

 

(Jornal O Comércio, 20 de setembro de 1921, p. 2)

 

 

 

20 DE SETEMBRO – A comemoração da passagem do primeiro ano da administração do Dr. Annibal Loureiro – Inauguração das obras do abastecimento d’água à população – Reunião do Conselho Municipal – O Mercado Público remodelado – A brilhante quermesse pró-Hospital de Caridade – O Colégio Elementar Antônio Vicente da Fontoura – Várias notas

 

    Há muitos anos que não víamos a multidão se associar tão espontaneamente às festividades de caráter oficial e cívico como aconteceu no dia 20 de setembro, onde a população em peso acorreu à inauguração das importantes obras executadas e com calor sagrou a passagem do primeiro ano de administração do nosso ilustre, operoso e esforçado edil, Dr. Annibal Loureiro

 

    De fato havia razão, e razão de sobra, para o povo estar jubiloso, pois uma parte do brilho que à administração municipal vem imprimindo S. Excia., reflete-se diretamente sobre essa gleba de trabalho e progresso e é um exemplo poderoso para todas as municipalidades do Estado.

    Sem reclames, nem alardes, laboriosamente, inteligentemente, S. Excia., estudando cuidadosamente os orçamentos do município e analisando as fontes de despesa com clareza e precisão, de tal modo assenhoreou-se da marcha do organismo administrativo que, sem prejuízo para nenhuma espécie de serviço em andamento, executou obras em estradas, ruas, próprios municipais e ainda aplicou, sem dívida nem ônus de qualquer natureza, a vultuosa quantia de 200:000$000 em obras de caráter inadiável e urgente, vencendo velhas praxes e cômodos sistemas, quais os de fazer obras com o auxílio de avultados empréstimos que realmente dão brilho a uma administração, mas oneram e sobrecarregam com a amortização da dívida aos seus sucessores, cuja atividade, de tal modo, é reduzida pela necessidade de saldar encargos dos antecessores.

    O Comércio que há mais de quatro lustros vem se batendo pelos mais vitais melhoramentos da nossa urbs e do município, sente-se hoje feliz em poder descrever as relevantes obras inauguradas, motivo pelo qual congratula-se com a população cachoeirense.

    Assim, passamos à sua descrição para falarmos, depois, nas festividades.

 

A HIDRÁULICA

 

    As obras construídas constituem um harmonioso e belo grupo de construções, onde o arrojo se alia belamente para mais honra dar aos construtore

    De fato, à margem do rio Jacuí, a captação foi feita por meio de uma casa de máquinas que é quase um poço, com dimensões mínimas, o estritamente necessário para o acesso do pessoal, colocação de encanamentos, luz, ventilação e passagem das correias transmissoras.

    É que o espaço ocupado é uma função dos preços e estes eram por força limitados à capacidade dos orçamentos.

    Assim, foi com curiosidade e prazer que visitamos esta parte e verificamos o esforço de adaptação necessário para o ajuste de tantas peças, canos e fios com simplicidade e sem constrangimento para o pessoal mecânico encarregado de fazer funcionar as máquinas.

    O poço tem, no solo, a profundidade de 12,40 com 1,5 X 2,5 de seção, e acima do solo eleva-se três metros para abrigo do motor elétrico aí colocado.

     A bomba, a três pistons, aspira nas máximas estragens, à altura total de 6,30 m, no canal por um tubo de 150 milímetros, ancorado em sua extremidade por um bloco de concreto de 3.000 quilos, de construção especial, de modo a servir simultaneamente de rolo apurador. Esta bomba, da marca Worthington, USA, dá 30.000 litros d’água com 42 revoluções por minuto. É acionada por um motor elétrico de 14 HP, marca Sucksen Werke, por intermédio de duas correias de transmissão. Este material foi fornecido pela firma Bromberg & Cia., importante casa com filial nesta cidade, dirigida pelo nosso operoso amigo Sr. Guilherme Iken.

    Do assentamento das mesmas encarregou-se, mediante contrato, a referida firma, que para isto destacou o mecânico Ernesto Grübner e o hábil engenheiro Dr. Ricardo Klinger. A água desta bomba é recalcada numa extensão de 200 metros, vencendo a altura total de 50 metros até um elegante chafariz, imitação de granito, adquirido pela municipalidade em Porto Alegre, na casa J. Vicente Friedrichs, donde cai e passa cascateando em três tanques destinados a prefiltrá-la e é recolhida a um grande reservatório a nível de cento e cinquenta mil litros de capacidade. Daí é aspirada por uma bomba centrífuga, marca Sulzer, diretamente ligada a motor elétrico e recalcada para a torre de cimento armado, de 16,50 m de altura e 100 metros cúbicos de capacidade. Esta torre, com orgulho o dizemos, é um recorde e marca uma data, pois é a primeira deste vulto construída no Estado. Suas linhas delicadas e bem construídas receberam elegante ornamentação de muito bom gosto artístico, como todas as obras bem lançadas de cimento armado. Ao aspecto de completa solidez e segurança, alia o de fragilidade imensa, o que foi por todos verificado no dia da inauguração.

    O recinto é fechado por muro de grades, oferecendo um aspecto de sóbria beleza e bem aproveitado capital. O terreno que será dentro em breve todo ajardinado, foi nivelado, sendo o muro da face oeste construído em forma de muro de arrimo.

    O belo panorama que dali se descortina, através de várzeas e coxilhas com o Jacuí mansamente rolando suas tranquilas águas por coleante e caprichoso curso orlado de luxuriantes matas, foi cuidadosamente conservado, sendo o muro cortado e substituído numa extensão de 60 metros por uma linda balaustrada.

 

Os encanamentos

    A água atualmente é distribuída na cidade por cerca de 2.500 metros de encanamentos de aço Mannesmann, assentados nas ruas D. Luiza, 7 de Setembro, Ferminiano, 15 de Novembro, 7 de Abril e Moron.

 

 

O custo das obras

 

    Estas obras montaram a cerca de 170:000$000 e já estão quase completamente pagas, faltando pagar uma quota de uns 12:000$000, por força dos contratos.





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Horário de Visitação ao Público:

Terça a sexta-feira :Manhã: 8:30 às 11:30 Tarde: 14:00 às 17:00

Sábados e domingos: Tarde: 14:00 às 17:00

Agendamentos para visitação mediada:  pelo telefone: (51) 3724-60-17 ou no Museu

Dias da semana: 3ª e 6ª feira: manhã- 9h e tarde - 14h.

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