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MUSEU MUNICIPAL DE CACHOEIRA DO SUL - Patrono Edyr Lima

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Cachoeira do Sul - RS

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Histórico do Município



Borges de Medeiros

Borges de Medeiros

 

ANTÔNIO AUGUSTO BORGES DE MEDEIROS


NASCIMENTO: 19/11/1863, Caçapava. A mãe, Miguelina de Lima Borges, nascida em Cachoeira, era irmã mais velha do Cel. Horácio Borges, dirigente municipal em 1912, e trineta de João Pereira Fortes, um dos grandes estancieiros de Rio Pardo, cujas terras estendiam-se até Cachoeira. O pai, Augusto César de Medeiros, era pernambucano, bacharel em Direito. Teve mais 8 irmãos.

INFÂNCIA: O menino herdou o tipo físico do pai, bem moreno, miúdo e descarnado. Era tímido e pouco afeito às lides campeiras. Além disto, o pai não achava conveniente que ele se dedicasse à vida do campo, porque considerava que ela só era boa para latifundiários, o que não era o caso de sua família. Apesar das brincadeiras com primos e primas, o menino Borges era caladão e não sabia soltar risadas; quando muito esboçava um sorriso sereno.

 

EDUCAÇÃO: As primeiras lições, Borges teve com os pais, em Pouso Alegre, cidade de Minas Gerais, para onde a família mudou-se quando ele tinha 2 anos de idade. De volta a Cachoeira, Borges de Medeiros estudou com professores particulares. Aos 16 anos, não havia mais nada para o jovem aprender em Cachoeira. As opções de ensino eram reduzidas no Rio Grande daqueles tempos, especialmente para um jovem frágil como ele: a Escola Normal de Porto Alegre e a Escola Preparatória Militar de Rio Pardo, para a qual não possuía espírito nem tipo físico. Ser seminarista, nem pensar, especialmente considerando o temperamento anticlerical do pai. Borges seguiu então para Porto Alegre, onde foi matriculado no Colégio Souza Lobo, em que concluiu, em 1881, o ensino secundário. E, depois de muita conversa, os pais decidiram mandá-lo para estudar Direito em São Paulo. Seria mais barato formar-se na profissão do pai em Recife, onde poderia morar com o avô ou as tias, mas a mãe não quis, de jeito nenhum, mandar o filho para aquele fim de mundo. Seguiu então para a escola paulista, onde logo se uniu a um grupo de gaúchos, dentre os quais Júlio de Castilhos, então no quinto ano, em companhia de quem o jovem entrou em contato com a efervescência política da época, já então em franco combate à monarquia, com a propaganda republicana e abolicionista e as ideias positivistas de Augusto Comte. Neste período, escreveu artigos para o jornal A República, órgão de divulgação das ideias do grupo de gaúchos, significativamente intitulado 20 de Setembro. Desde seus estudos iniciais, Borges de Medeiros revelou inclinação e maior interesse pelas disciplinas ligadas às humanidades, especialmente línguas, história, geografia e filosofia. Interessou-se também pela música, de que obteve noções gerais. Quando concluiu o quarto ano do curso de Direito, dificuldades financeiras da família obrigaram o envio do rapaz para Recife. Lá recebia correspondências dos amigos contando as novidades do sul, que ele já julgava preocupantes. Dentre esses amigos, figuravam Júlio de Castilhos, Pinheiro Machado, Assis Brasil, Ramiro Barcelos, Barros Cassal, Demétrio Ribeiro e Venâncio Aires. Em meados de 1885, estava formado e retornou ao Rio Grande, estabelecendo-se com banca de advocacia em Cachoeira.

 

CASAMENTO: Antônio Augusto casou-se em 1889 com a prima Carlinda Godoy. Pelo casamento, recebeu a estância do Irapuazinho. Não tiveram filhos, porém adotaram uma sobrinha recém-nascida, chamada Dejanira. A filha casou-se com Sinval Saldanha, em cujo mausoléu foi sepultado o Dr. Borges de Medeiros.

 

ATUAÇÃO PROFISSIONAL E POLÍTICA: Formado, Borges de Medeiros voltou a Cachoeira, onde estabeleceu banca de advocacia e assumiu a chefia do Partido Republicano Rio-Grandense. Em 1889, foi nomeado Delegado de Polícia e, logo depois, Juiz de Direito da Comarca de Cachoeira. Em 1890, assumiu o mandato de Deputado Federal pelo RS na Assembleia Constituinte Nacional, Rio de Janeiro. Quando eclodiu a Revolução Federalista, em 1893, Borges abandonou a magistratura e, apesar de nunca ter pego em armas, juntou-se à força do Cel. Santos Filho. Terminada a revolução, seguiu para Porto Alegre, onde Júlio de Castilhos o nomeou Chefe de Polícia. Borges argumentou, mais uma vez, sua inabilidade com armas, ao que Castilhos disse que não queria alguém que soubesse manusear armas, mas sim a inteligência. Júlio de Castilhos já então arquitetava planos de nomear Borges de Medeiros para sua sucessão à Presidência do Estado, mas antes o nomeou para o posto de desembargador. Faria um teste, se o cargo não lhe subisse à cabeça, estaria pronto para assumir a direção dos negócios do Estado, ficando ele, Castilhos, dedicado ao PRR. Borges provou ser digno do cargo. Tomou posse em 25 de janeiro de 1898. A partir de então, especialmente depois da morte do patriarca do PRR, no ano de 1903, o Rio Grande teria o caçapavano à testa do governo durante 25 anos, período que só foi interrompido de 1908 a 1913, quando Carlos Barbosa o sucedeu por sua vontade. Desgostoso com a atuação de seu indicado, Borges voltou à Presidência, dando início a um período de revoluções e a uma sucessão de fraudes que o mantiveram no governo até 1928.

 

PRINCIPAIS OBRAS: Desenvolvimento do ensino profissional; apoio ao desenvolvimento dos vários setores produtivos; elaboração do plano viário do Estado; construção do porto de Porto Alegre; abertura da barra e porto do Rio Grande; consolidação das leis tributárias e orgânicas do Estado, dentre outras.

 

FALECIMENTO: Depois de retirar-se da política, Borges de Medeiros passou a dedicar-se aos negócios do campo, permanecendo longo tempo em sua estância do Irapuazinho, de onde acompanhava os passos da política rio-grandense e brasileira. A morte o colheu no dia 25 de abril de 1961, quando contava 97 anos. Seu corpo foi sepultado no jazigo do genro, Dr. Sinval Saldanha, no Cemitério da Santa Casa, em Porto Alegre.

 

OBSERVAÇÕES DE JOÃO NEVES DA FONTOURA:

... a característica dos governos do Sr. Borges de Medeiros residiu principalmente no sentido moral com que administrou o Rio Grande, onde criou e manteve um padrão de decência, de limpeza, de retidão, de autêntica moral política.

(...) Nem o Sr. Borges de Medeiros nem meu pai nasceram em Cachoeira, mas foi ali que ambos, muito jovens, iniciaram suas vidas de trabalho e se afeiçoaram um ao outro... (...) Desde que me entendi por gente, o futuro chefe do Partido Republicano nunca deixou de parecer-me como um tio ilustre, que vez por outra chegava à nossa casa da rua 7.

... a filha de criação do Sr. Borges de Medeiros era minha prima-irmã, pelo lado materno. Ainda essa circunstância contribuiu para nos aparentar...

(...) Morava numa casa alugada ali na rua da Igreja. (...) O Presidente Borges, aliás, nunca morou num palácio.

(...) Devo dizer – por experiência de uma longa proximidade em horas cruciais – que, ao contrário do que se supõe, o Sr. Borges de Medeiros nunca foi um triste; sempre gostou da boa prosa, como se diz no Rio Grande, apreciando evadir-se dos domínios da política para os da literatura, da filosofia, sobretudo para as coisas da vida do campo... (...) Sua voz não traía emoções. Nada denotava, nele, ansiedade ou receio. Ao contrário; em ocasiões graves, adquiri, a seu lado, confiança num desenlace feliz das nossas crises.

(...) Borges andava a pé, de casa para o Palácio, com sol ou com chuva. Quando era obrigado a receber um hóspede ilustre, mandava contratar um carro de praça e lá se ia, com seu fraque mal talhado e uma cartola mal posta na cabeça, sacolejando sobre o calçamento de pedras irregulares. Só no último governo é que comprou um automóvel, um daqueles FIAT, de modelo primitivo.

(...) Não pode haver a menor dúvida, João. Teu destino é Cachoeira, por várias razões. (...) Além disso, fez-me ver que meu pai precisava de mim a seu lado, a fim de ajudá-lo na direção partidária e na administração. Ajudá-lo hoje, para suceder-lhe amanhã. (...) O essencial é que nunca me arrependi do caminho tomado. (Memórias, vol. 1: Borges de Medeiros e seu tempo).

 

Mirian Ritzel, março de 2005.

 

Bibliografia:

ALMEIDA, João Pio de. Borges de Medeiros: subsídios para o estudo de sua vida e de sua obra. Barcellos –

Barcellos – Bertaso, 1928.

PESAVENTO, Sandra Jatahy. Borges de Medeiros, in Rio Grande Político. IEL, 1990.

LESSA, Barbosa. Borges de Medeiros, in Coleção Esses Gaúchos. Tchê, 1985.





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Sábados e domingos: Tarde: 14:00 às 17:00

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