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Barragem-Ponte do Fandango - 50 anos
25 de Janeiro de 2011
Tipo: profissionais
Autor: Mirian Ritzel

BARRAGEM-PONTE DO FANDANGO: CINQUENTA ANOS

                Recorrendo à coleção do jornal O Comércio, cuja fundação se deu em 1900, é possível perceber o quanto a transposição do rio Jacuí por meio de uma ponte era sonho acalentado por comerciantes, industrialistas e a comunidade em geral. As autoridades municipais, muitas vezes recorrendo às instâncias superiores, muito pleitearam a ponte e projetos para a sua execução chegaram a ser esboçados sem, entretanto, encontrarem utilização.

                A primeira reunião noticiada pelo O Comércio remete ao distante 1912, quando o industrialista Jorge Franke, cujo nome está associado indissoluvelmente ao pioneirismo de Cachoeira na irrigação mecânica das lavouras de arroz, realizou uma reunião em sua residência para tratar da incorporação de uma companhia para levar adiante a ideia de construir uma ponte no Jacuí, próxima da cidade, provavelmente sobre a Cachoeira do Fandango. O projeto abrangia também as construções das pontes sobre os arroios Capané e Irapuá. Esta reunião resultou em outra, dia 17 de março daquele ano, no salão da Intendência Municipal, reunindo comerciantes, industrialistas, fazendeiros e agricultores. Houve a eleição de uma comissão para as ações necessárias para a organização ou contratação da companhia. A comissão era composta por Jorge Franke (presidente), Emilio Barz, Virgilio de Abreu, Aurélio Porto, Carlos Schmidt, Pedro Werlang e Affonso Fonseca.

                Mas as águas do Jacuí rolaram muito até que de fato as tratativas para construção da ponte se concretizassem. Concorreram bastante para este fim os esforços dos prefeitos Liberato Salzano Vieira da Cunha, Virgilino Jayme Zinn e Moacyr Cunha Rösing. Somente em 1944 as demarcações da ponte começaram a ser feitas e, finalmente, em 1951, tiveram de fato início as obras para sua construção.

                A execução da Barragem-Ponte do Fandango foi coordenada pelo Departamento Nacional de Portos, Rios e Canais, sendo projetada pela Societé de Construction des Batinolles, de Paris, e construída pela firma Brasília Obras Públicas, do Rio de Janeiro.  O engenheiro-chefe da obra era o egípcio Mustafa Hussein. Joaquim Vidal e uma desenhista francesa colocaram no papel os projetos do engenheiro egípcio. Por onde andarão tais projetos?

Foi em um domingo que o engenheiro desviou o canal do rio. A cidade correu para assistir à explosão das rochas. Feito isto, teve início a construção, onde foram consumidos 16.000 m3 de concreto e 170 toneladas de ferro. 15.000 m3 de rocha foram escavados, com um movimento total de 59.000 m3 de terra. As estruturas metálicas foram fabricadas na Alemanha. Um antigo oficial do exército de Hitler, chamado de alemão Frederico, veio para Cachoeira para temperar o aço. No verão, o número de operários, vindos das mais diversas cidades do Estado, chegava a 500. Boa parte desta gente fez história em Cachoeira, pois moraram aqui por longos anos até que a ponte estivesse concluída e participaram ativamente da vida da sociedade.

Localizada no rio Jacuí, a dois quilômetros da cidade, e construída sobre a Cachoeira do Fandango, como imaginava a comissão constituída em 1912, a Barragem-Ponte do Fandango é uma obra em concreto e aço, sendo a primeira do gênero a ser construída no Brasil. Tornou navegável para embarcações de até 1,80 m de calado o trecho de 63 quilômetros a sua montante. A barragem é móvel, com eclusa conjugada a uma ponte rodoviária metálica, de primeira classe, que serve também de passarela para os guindastes de madeira dos paineis móveis da barragem. Está assentada sobre quatro pilares de concreto, distantes 60 metros entre si. No vão contíguo à margem esquerda, situam-se a eclusa e o passe regulador constituído de alças metálicas do tipo Aubert. No vão junto à margem direita está situado o vertedor fixo, constituído de um muro de concreto armado. Todas as partes móveis da barragem são comandadas hidráulica e eletricamente, sendo os comandos automáticos. A torre de comando, com 15 metros de altura, está situada a jusante, próxima ao pilar da margem esquerda. Os viadutos de concreto armado que dão acesso à ponte, por ambas as cabeceiras, permitem o livre escoamento das águas durante as enchentes.

A ponte tem 180 metros de comprimento e nove de largura, incluindo os passeios. Seu peso atinge 750 toneladas. A eclusa tem 85 metros de comprimento e 15 de largura; as alças do passe regulador, em um número de 23, têm a altura de 3,25 m e 1,50 de largura; as alças do passe navegável, em número de 38, têm 4,75 metros de altura e 1,50 de largura. O volume total de concreto utilizado foi de aproximadamente 16.000 m3.

Na solenidade de inauguração, dia 25 de janeiro de 1961, compareceram o engenheiro Camilo Menezes, Diretor Geral do Departamento Nacional de Portos, Rios e Canais, e Pedro Viriato Paregot de Souza, engenheiro responsável. Paregot de Souza recebeu o título de Cidadão Cachoeirense em 1972. Era, à época, governador do Paraná.

Transcorridos 50 anos do gesto simbólico da abertura oficial da ponte ao trânsito, uma vez que ela já vinha sendo utilizada desde o final da década de 1950, a cidade debate as reais condições de sua estrutura, pondo em suspense a sua capacidade de continuar resistindo ao desgaste do tempo, à manutenção ineficiente e ao excesso de uso.

Mirian R. M. Ritzel,

25/1/2011

Fontes: Banco de dados do Museu Municipal, coleção jornal O Comércio, Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, de Jurandyr Pires Ferreira (1959), Ione M. S. Carlos, Lygia Riccardi, funcionária da Brasília Obras Públicas, e Albino Martins, operador de máquinas durante a construção.

               

 


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