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Fontoura Xavier
27 de Outubro de 2010
Tipo: profissionais
Autor: José Carlos Brandi Aleixo - Professor Emérito da Universidade de Brasília

                    Recente notícia de que o bilhete da CEF premiado com R$ 119 milhões foi adquirido na cidade gaúcha de Fontoura Xavier pôs esse nome em evidência. Mas quem foi ele?

                   Descendente do português João Carneiro da Fontoura, natural de Chaves, que chegou ao Brasil em 1737. Seu avô materno, Antônio Vicente da Fontoura, foi prócer eminente na Revolução dos Farrapos.

                   Nascido em Cachoeira do Sul, em 1856, estudou nessa cidade, em Porto Alegre, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Serviu nos consulados brasileiros de Baltimore, Porto, Genebra, Buenos Aires e Nova York.

                   Cônsul em Nova York, Fontoura Xavier foi nomeado, em 1906, membro da delegação do Brasil, presidida pelo embaixador Joaquim Nabuco, à 3.ª Conferência Internacional Americana. Eram, então, excelentes as condições do Brasil e de sua capital.

                  O Barão do Rio Branco distinguira-se na definição das 10 fronteiras do país. Graças a Osvaldo Cruz, a capital estava saneada. Ele admirava a extinção da febre amarela em Havana pelo cientista cubano Carlos Finlay. Pela primeira vez, a capital do Brasil hospedou 18 representancões governamentais de países das Américas.

                    Nesse contexto, ocorreu importante exemplo de interação entre a diplomacia multilateral e a bilateral. Em 22/11/1906, o Decreto n.º 1.561 criou uma Legação do Brasil em Cuba, incumbida também de Costa Rica, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Panamá. No seguinte 13/12/1906, Fontoura Xavier foi designado enviado extraordinário e ministro plenipotenciário junto a esses seis países e, a partir de 16/1/1908, também ante a Guatemala.

                   Ele foi o primeiro diplomata brasileiro a apresentar credenciais a presidentes de cada um desses sete países. Devido à intervenção dos Estados Unidos em Cuba, de 1907 a 1909, só apresentou, em Havana, suas credenciais ao presidente José Miguel Gomez em 2/10/1910. Posteriormente, chefiou as legações do Brasil no México, na Espanha, na Inglaterra e em Portugal. Faleceu em Lisboa, em 1.º/4/1922, quando essa legação já havia sido ascendida à condição de embaixada.  

                  Fontoura Xavier pertence a uma seleta plêiade de diplomatas poetas. Em 1877, aos 21 anos, adquiriu notoriedade com a publicação da sátira O Régio Saltimbanco. Sua obra maior, Opalas, foi lançada em 1884, em Porto Alegre. Em 1984, a professora Regina Zilberman organizou e publicou, com importantes notas, primorosa edição.

                  Geralmente, os comentaristas assinalam em Fontoura Xavier a presença dos seguintes elementos: republicanismo; antirromanticismo; cosmopolitismo; crítica das injustiças sociais; positivismo; poesia científica e libertária; evolucionismo; parnasianismo e realismo.

                  Entre os estudiosos e amigos de Fontoura Xavier, destacam-se o nicaraguense Rubén Dário e o peruano José Santos Chocano, ambos também poetas, poliglotas e cosmopolitas.

                  Rubén Dárío conheceu-o no Rio de Janeiro, durante a 3.ª Conferência Internacional Americana, em 1906. Escreveu ele: " Estava nesse meio intelectual brasileiro, que com justiça orgullava, perante os estrangeiros, o nobre embaixador Nabuco. No âmbito oficial, foi dos meus amigos mais íntimos... Afável, garboso, cerimonioso como quase todos os seus compatriotas cultos, o poeta granjeou de imediato a minha simpatia... Opalas é um livro de elegância e harmonia... Escrito em grande parte antes das moderníssimas correntes estéticas, que com tanto acerto estudou em seu país Elísio de Carvalho, lê-se hoje com o mesmo prazer que quando apareceu pela primeira vez. É que a forma e a maneira valem pelo que encerram  do poder criador do poeta, pelo que vem de dentro, do fundo da alma. No verdadeiro poeta prevalece a vontade de eternidade. Por isso é que Luciano de Samosata, Píndaro, o Arcipreste de Hita, Villon, Heine e tantos outros, no plano superior da arte, serão sempre contemporâneos".

                 José Santo Chocano traduziu a obra Opalas ao espanhol e, com o nome de Ópalos, a publicou em Paris, em 1914. Elogiou suas qualidades humanas e profissionais, seu coração de poeta e seu pensamento bem firme.

                  Nem os pagos do Rio Grande do Sul saíram da memória de Antônio da Fontoura Xavier, nem sua terra natal esqueceu-se dele. Como o Barão do Rio Branco - "ubique patriae memor" -, levou sempre consigo a preocupação de servir bem ao Brasil.

                  O centenário da data de sua apresentação de credenciais ao presidente de Cuba e a venda de um bilhete milionário na cidade gaúcha que ostenta o seu nome são fausta ocasião para enaltecer a figura ímpar de Fontoura Xavier.

                                                                              ALEIXO, José Carlos Brandi. Fontoura Xavier. Correio Braziliense, Brasília.


         

              


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