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MUSEU MUNICIPAL DE CACHOEIRA DO SUL - Patrono Edyr Lima

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Primeira planta (mapa) de Cachoeira
04 de Maio de 2011
Tipo: profissionais
Autor: Mirian R. M. Ritzel

PRIMEIRA PLANTA E CADASTRO DOS PROPRIETÁRIOS DE TERRENOS DA VILA NOVA DE SÃO JOÃO DA CACHOEIRA

 

            A primeira referência histórica sobre o ordenamento urbano de Cachoeira está no ano de 1800. As guerras de demarcação de fronteiras trouxeram para a então Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Cachoeira novos moradores e com eles a necessidade de construção de casas residenciais e comerciais. José de Saldanha, geógrafo e cartógrafo português que servia como engenheiro na demarcação dos limites do Rio Grande do Sul, elaborou o nosso traçado urbano usando como referência a Praça da Igreja, hoje Praça Balthazar de Bem. Pelo traçado, as ruas largas e amplas se distribuíam entre quadras quadradas, conforme o modelo das cidades portuguesas.

            Desde 1830 a ordem, tranquilidade, segurança, saúde, comodidade e organização da Vila e arredores eram reguladas pelas Posturas Municipais, conjunto de leis elaboradas pela Câmara que também determinavam os limites geográficos, as regras para a elegância e regularidade externa dos edifícios e ruas e o asseio público. Até 1853 esses limites ficavam na direção Norte Sul, os terrenos entre o córrego Lava-pés e o rio Jacuí e, na direção Leste Oeste, os terrenos entre o arroio Amorim e o córrego denominado Sanga da Aldeia.  

Segundo as posturas, os proprietários de terrenos só podiam edificar dentro dos limites da Vila mediante licença da Câmara. Havia regras para o alinhamento e largura das ruas e calçadas, para o nivelamento das soleiras das portas, para a altura das casas e restrições à construção de degraus e escadas que desembocassem diretamente nas ruas. Além de outras restrições, estava vedado aos proprietários o depósito de materiais de construção em praças e vias públicas sem o consentimento da Câmara.

Apesar da delimitação do recinto da Vila, da existência de um traçado que deveria ser seguido e da demarcação de pontos referenciais como as Praças da Igreja e do Pelourinho, não havia uma planta que retratasse as ruas e terrenos existentes, o que dificultava os trabalhos do arruador e do fiscal da Câmara.

            Em 17 de setembro de 1829, por sugestão do vereador Manoel Álvares dos Santos  Pessoa, foi remetido ofício ao Presidente da Província solicitando a confecção de uma planta por engenheiro competente.

As atas das sessões ordinárias da Câmara de 12 de janeiro, 10 e 13 de abril de 1850 registram que os vereadores ainda estavam aguardando a planta encomendada ao engenheiro da Comarca, João Martinho Buff, para dar solução a inúmeros requerimentos de pessoas solicitando licença para construir em seus terrenos.

A ata de 4 de maio de 1850 registra, finalmente, o recebimento da primeira planta e o correspondente livro de cadastro dos proprietários de terrenos da Vila Nova de São João da Cachoeira, elaborados pelo engenheiro João Martinho Buff. A planta e o cadastro registram 422 terrenos, sendo 173 edificados e 249 desocupados:

 

 

“Foi presente a esta Câmara a Planta e Cadastro desta Vila, remetida pelo Engenheiro da Comarca João Martinho Buff, e exige a quantia de 4$500 réis, importância da despesa feita com os utensílios para a mesma Planta. A Câmara ficou inteirada e resolveu que dita Planta fosse arquivada assim como o
Cadastro dela e que se ordenasse ao procurador da Câmara que pague ditas despesas e que se leve ao conhecimento de S. Excia. o Presidente da Província o recebimento da dita Planta e Cadastro...

 

 

            Para a distribuição correta dos terrenos, Buff traçou os limites da Vila, destacando os terrenos da Praça do Pelourinho (atual José Bonifácio), delimitado desde 1830, o da Praça da Igreja (atual Balthazar de Bem) e o da Praça de São João, onde mais de meio século depois seria erguido o Hospital de Caridade. O engenheiro registrou cada propriedade a partir da apresentação dos títulos pelos proprietários, lançando-os simultaneamente em um livro cadastro. No livro, além do nome do proprietário, foi registrada a data da concessão ou aquisição do terreno, a autoridade que concedeu os títulos, a sua localização, medidas e a observação de edificado ou não. Pela análise destes registros, nota-se que a Rua de Santo Antônio (Saldanha Marinho), a Rua do Loreto (7 de Setembro), a Rua da Igreja (Moron) e a Rua do Paulista (15 de Novembro) eram as mais povoadas da Vila em 1850. Buff listou também os 36 terrenos que estavam edificados desde 1830, distribuídos nas ruas do Paulista e da Igreja, nas Travessas da Tapera e de São José.

 

 

 

            As Posturas Municipais do ano de 1862 determinavam que o alinhamento, largura e nivelamento das ruas seguissem o arruamento marcado na planta de Buff. Sua confecção permitiu ainda determinar os terrenos devolutos destinados para a construção de edifícios públicos, impedindo sua concessão a particulares.

            Dentre os maiores proprietários registrados no cadastro de 1850, constam:

- Rua de Santo Antônio: João Nunes da Silva, João Baptista Betat, Francisco José da Silva Moura e Noé Antônio Ramos.

- Rua do Loreto: Manoel Alves Ferraz, Francisco José da Silva Moura, José Pereira da Silva, João Pinto da Fonseca Guimarães, Joaquim Gomes Pereira, David José de Barcellos, Tristão da Cunha e Souza e herdeiros do Capitão Caetano Coelho Leal.

- Rua da Igreja: Alexandre Coelho Leal e Tristão da Cunha e Souza.

- Rua do Paulista: Roque Franco de Godois, Manoel de Souza, herdeiros de José Gomes de Oliveira e José Alves Ferreira Macieira.

 

Ruas registradas na planta e suas correspondentes atuais

 

Rua de Santo Antônio – Rua Saldanha Marinho

Rua do Loreto – Rua 7 de Setembro

Rua da Igreja – Rua Moron

Rua do Paulista – Rua 15 de Novembro

Rua de Santa Helena – Rua Liberato S. V. da Cunha

Rua do Cardoso – Rua Riachuelo

Rua do Amorim – Rua Gabriel Leon

Rua do Passo de Jacuí – Rua Moron

Rua de São João – Rua Pinheiro Machado

Travessa do Matadouro – Rua Major Ouriques

Travessa do Lava-pé – Rua Milan Kras

Travessa do Ilha – Rua Sílvio Scopel

Travessa do Ourives – Rua Andrade Neves

Travessa da Lagoa – Rua Gal. Portinho

Travessa dos Pecados – Rua Ramiro Barcelos

Travessa do Soeiro – Rua Gal. Osório

Travessa da Tapera – Rua Gal. Câmara

Travessa da Igreja – Rua Monsenhor Armando Teixeira

Travessa de São José – Rua Conde de Porto Alegre

Travessa de São João – Rua Félix da Cunha

Travessa de São Jerônimo – Rua Tiradentes

Travessa da Luiza – Rua Tuiuti

 

Quem foi João Martinho Buff?

 

            João Martinho Buff, o engenheiro da Comarca encarregado de confeccionar a planta e o cadastro dos terrenos da Vila Nova de São João da Cachoeira, nasceu em Rödelbhein, próximo a Frankfurt, na Alemanha, em 8 de maio de 1800. Era filho de Josef Ludwig Buff.

            Contratado pelo Império do Brasil para integrar o 28.º Batalhão de Caçadores Alemães, denominados por D. Pedro II como os “Diabos Brancos”, participou do combate à Confederação do Equador, em Recife. Quando deu baixa no batalhão, Buff fixou-se em Rio Pardo, onde casou com Josefina de Melo Albuquerque, em 12 de julho de 1830, dedicando-se à engenharia e agrimensura. O casal teve três filhas.

            Em 1851, foi nomeado diretor da Colônia de Santa Cruz, ocupando-se da medição de terras e da instalação de vários colonos.

            De seu conjunto de obras constam: plantas de Rio Pardo e Cachoeira, projetos de construção da ponte do Couto, do Jacuí e do Botucaraí (Ponte de Pedra) e da antiga Escola Militar de Rio Pardo, hoje Centro Cultural Regional de Rio Pardo.

            João Martinho Buff faleceu, aos 80 anos, em Rio Pardo.

 

           

Levantamento de dados e texto: Mirian Ritzel

Fontes: Acervo documental do Arquivo Histórico

Banco de dados do Museu Municipal

Obras: Cachoeira do Sul em busca de sua história, de Angela S. Schuh e Ione M. S. Carlos

Escolas Militares de Rio Pardo – 1859 – 1911, de Cláudio Moreira Bento e Luiz Ernani Caminha Giorgis

 

 


Primeira planta (mapa) de Cachoeira

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